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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os 50 anos de Didi Mocó


Foi como o trapalhão Didi, que completa 50 anos em 2010, que o humorista Renato Aragão, nascido em Sobral, interior do Ceará, fez fama e glória. Para a sorte de várias gerações de crianças, o advogado foi aprovado para formar o primeiro elenco de atores, produtores e redatores da então recém-inaugurada TV Ceará, hoje TV Verdes Mares. Era um esquete, sem falas, que Renato criou e interpretou. Didi apareceu na TV pela primeira vez no programa "Vídeo Alegre", da emissora cearense, no dia 30 de novembro de 1960. Sua fama chegou ao Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1964 e participou do "A - E - I - O - Urca", na TV Tupi. Na emissora carioca, Didi ganhou os sobrenomes Mocó Sonrisélpio Colesterol Novalgino Mufumbo - uma brincadeira com referências ao sertão cearense e aos trocadilhos que seriam comuns em suas gags.

Já na capital carioca, em 1966, criou a fórmula de um quarteto humorístico em "Adoráveis Trapalhões", na TV Excelsior, ao lado de Ivon Cury, Ted Boy Marino e Wanderley Cardoso. Na pele de um cearense ao mesmo tempo desastrado e malandro, Didi destacou-se no programa. Em 1971, contratado pela Record, passou a dividir a atração "Os Insociáveis" com Manfried Santana, o Dedé, e Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum. Em 1974, o trio se mudou para a extinta TV Tupi e adotou um novo integrante: Mauro Gonçalves, o Zacarias. Surgiam "Os Trapalhões". Essa união trouxe a fama aos personagens e a alegria aos pequenos. Os índices do programa eram tão altos, que eles se transformaram em verdadeiros ídolos. Com o sucesso, o quarteto entrou para TV Globo, em 1977, e conquistou sua maior bilheteria nos cinemas.

O início dos anos 80 marcou os 15 anos da fórmula de sucesso do quarteto, que ainda estava no que considerou sua "era de ouro". O programa que comemorou o aniversário foi exibido em julho de 1981, com duração de oito horas, com a participação de quase todo o elenco da TV Globo, jornalistas e músicos convidados. O especial também serviu para divulgar a campanha em favor dos portadores de deficiência visual, promovendo a doação de córneas e de bolsas de emprego em todo o país. E, anos depois, se transformou no Criança Esperança, um dos maiores programas de assistência da emissora. Em maio de 1983, o programa iniciou uma nova fase com a direção de Gracindo Júnior, redação de Carlos Alberto de Nóbrega e gravações externas.

No ano de 1983, o quarteto passou por um momento delicado, com a separação de seus integrantes. Didi fez sozinho o programa global por cerca de seis meses. No final do ano, por iniciativa própria, os humoristas decidiram voltar a atuar juntos. Depois do afastamento, que Renato Aragão chamou de "férias conjugais", Os Trapalhões voltaram em grande estilo no dia 25 de março de 1984, em um especial apresentado por Chico Anysio e com uma plateia formada por Simony, então apresentadora da Turma do Balão Mágico; Isabela Bicalho, a Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo; e Gabriela Bicalho, atriz mirim. Ilustrando a fala de Chico, imagens de arquivo relembraram a carreira do grupo na TV e seus sucessos no cinema. Em seguida, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias entraram em cena, e, emocionados, se reapresentaram para o seu público.

O quarteto trapalhão foi desfeito após a morte de dois de seus integrantes: o mineirinho Zacarias, em março de 1990, e Mussum, em julho de 1994. Após os dois acontecimentos, Renato caiu em depressão, ficando afastado da televisão por algum tempo. O retorno à telinha aconteceu em 1998, o programa "A Turma do Didi", que permaneceu na grade da TV Globo até 2010. Dez anos depois da estreia, um reencontro. O ex-trapalhão Dedé, de quem estava afastado há 15 anos por problemas profisionais e pessoais, voltou ao seu convívio no programa global. As trapalhadas dos dois podem ser vistas no "Aventuras de Didi", programa exibido desde abril de 2010.

Fonte: UOL

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