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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ricardo Linhares fala no “Cenas de um autor”


O dramaturgo Ricardo Linhares, de “Insensato Coração”, participou, na noite desta segunda-feira (27), de um bate-papo sobre sua carreira no Rio de Janeiro. Entrevistado por Cristiana Oliveira no projeto “Cenas de um autor”, Ricardo respondeu a perguntas sobre seu trabalho em parceria com Gilberto Braga e adiantou um pouco do que vai acontecer com Norma (Gloria Pires), Léo (Gabriel Braga Nunes), Marina (Paola Oliveira), Pedro (Eriberto Leão) e companhia.

Às 21h, a atriz Cristiana Oliveira chegou – ofegante – ao palco onde a conversa com o autor aconteceria. “Subi a escada correndo, apesar de estar com o condicionamento físico em dia. Juro que já malhei hoje”, disse a atriz, que precisou engordar 15 kg para viver Araci, a grande inimiga de Norma na prisão. Leia a seguir o bate-papo:

Você é a favor de finais felizes? Aliás, vamos ver finais felizes em “Insensato Coração”?
As pessoas torcem pelo vilão durante a novela toda e malham o mocinho. Mas, na hora do final, elas querem é que o mocinho seja feliz com a mocinha e que o vilão seja castigado. Sou totalmente a favor de finais felizes, porque sou romântico e convencional. Quero ver Marina e Pedro juntos até o final da novela. E Léo tem que ser punido com morte, loucura, acidente, pobreza, atropelamento...

A relação entre Norma e Léo está para sofrer uma reviravolta...
Norma ama o Léo? Claro que ama! É só parar para observar. Ela dedica tanto tempo da vida dela a uma causa. É um amor rejeitado, que foi levado a grandes proporções. Mas isso acontece o tempo todo por aí. As pessoas se surpreenderam com isso, mas estava na cara que ela o ama. O público não quer pensar nem refletir sobre a trama, quer tudo esmiuçado.

O início de “Insensato Coração” foi conturbado com duas baixas no elenco: Ana Paula Arósio e Fábio Assunção. Fez alguma diferença a entrada de Paola Oliveira e Gabriel Braga Nunes para viver Marina e Léo?
Estamos totalmente satisfeitos com a desenvoltura de Paola Oliveira e Gabriel Braga Nunes. O olhar e a vontade do ator para fazer um papel são fundamentais para o êxito. Eles viraram donos dos personagens. Hoje não dá para imaginar Marina e Léo vividos por qualquer outro ator.

Uma das cenas do romance entre Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo) seria gravada em um motel, mas o local foi alterado, a pedido da direção da Globo. Isso prejudica a história? Ainda é um tabu para a emissora?
Tem gente que nem é a favor dos gays, mas torce para eles ficarem juntos na novela, porque o que vale é o amor. Estou muito orgulhoso do trabalho que estamos fazendo, porque vem com sutileza.

As mortes já acabaram? Tem mais personagem para entrar na trama?
Muita gente vai entrar na trama ainda. Só posso adiantar dois nomes: Miguel Roncato e Bianca Byington. As pessoas estão criticando que todo mundo morre nessa novela. Mas é calúnia! Tem mais gente viva do que morta! Toda novela passa por uma adaptação. A gente ouve o espectador e faz mudanças. Tia Nenê (Ana Lúcia Torre) ia morrer, estava escrito no roteiro. Mas ela conquistou o público de uma maneira, que resolvemos criar outros desdobramentos. Não gosto que o ator fique na novela sem ter objetivo. Ele fica frustrado, o espectador também. Gosto de criar histórias com começo, meio e fim. Por isso, preferimos investir em participações.

Como você avalia a participação de Cristiana Oliveira na novela, como a vilã Araci?
A gente esperava que fosse bom, mas não tão bom quanto foi. Cristiana se dedicou muito ao papel, despiu-se de qualquer vaidade para fazer o melhor e fez. Foi a antagonista principal para a reviravolta da trama. Sem Araci, Norma não teria virado a vilã que ela é hoje.

O que é sucesso garantido nas novelas das nove?
O público quer ver histórias que possam ser exemplos para a vida real. Eu acho que não existe mais lugar para um enredo de fantasia, como o de “Saramandaia”, por exemplo. Quando comecei a trabalhar com novela, os capítulos eram mais curtos, tinham cerca de 20 minutos. Hoje em dia, é mais de 1h de trama por dia. Tem que preencher com acidentes, mortes, romances... Isso sempre rende.

Que conselho você dá para quem quer ser autor de novelas, seriados...?
Sempre acho que vale a pena começar estudando, fazendo cursos, lendo muito e vendo filmes clássicos. E é bom saber que não existem férias nesse meio. Não existe a possibilidade de ir a uma praia deserta e contemplar o sol sem pensar em nada. Tudo o que nos rodeia rende alguma história. Quem trabalha com criação sempre está trabalhando. Existem pessoas com talento, mas ninguém vira autor sem estudar. É preciso respeitar a profissão.

Fonte: UOL TV

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