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sábado, 25 de junho de 2011

Rosi Campos comemora sucesso em novela


“Adelaideeee, Adelaide”. Quem não se lembra dessa frase. A geração dos anos 1990 se lembra, e muito bem. Por três anos, Rosi Campos deu vida e voz à simpática personagem Bruxa Morgana, de “Castelo Rá-Tim-Bum”. E não há como falar com Rosi e não perguntar a ela sobre o famoso programa infantil, que é reprisado – com bons índices de audiência – há 14 anos.

Com quase 35 anos de carreira, Rosi também falou sobre o que está faltando para a TV brasileira. “Mais profundidade. Mas se não tiver qualidade, não vale de nada!”, opinou ela ao Famosidades.

Haidê é uma mãezona pé no chão, que tenta alinhar os filhos para um futuro melhor. Teve algum tipo de preparação para dar vida a essa personagem?
Nenhuma [risos]. É a vida da gente. A gente conhece a empregada, a secretária, que tem filho e não tem marido e trabalham muito, e que tem caráter. Inspirei-me em modelos que a gente tem na vida.

Há quem diga que Haidê e Genoveva, de “Cama de Gato”, são bem parecidas. Você destaca diferença entre as personagens?
A Genoveva era mais tranquila, não tinha preocupação que a Haidê tem com os filhos. Tinha uma vida mais estabelecida, uma estrutura. A Haydê tem mais problemas, é uma pessoa mais estressada, tem os filhos que não melhoram, e que não adianta ela falar...

Pra você, qual a principal mensagem que Haidê passa para o público?
Uma mensagem de caráter! Uma pessoa que trabalha muito, é muito honesta e que sabe que não vai conseguir nada sem esforço. O que não é feito com esforço é uma ilusão. As pessoas acham que basta ser famoso, porque você é bonitinho. É uma bobagem. Se não tem estrutura nenhuma, não se preparou pra nada, a realidade será bem diferente [risos].

Novelas são acompanhadas por boa parte da população brasileira. Porém, há muitas críticas quanto à ausência de abordagem de certos assuntos. Para você, qual o papel da dramaturgia no Brasil? Apenas entreter?
Não! Todas às vezes que a gente pode dar algum exemplo, a gente dá. A obrigação da TV e, principalmente da Globo, que tem uma grande representatividade, é falar de saúde, educação, cultura. É uma obrigação que todas as emissoras têm.

Você é uma artista dona de uma vasta bagagem. Há alguma mudança que você julga necessária às novelas para que elas possam chamar atenção também de públicos mais seletivos?
Novela é uma coisa muito longa. A pessoa precisa ter tempo pra acompanhar. Ela precisa curtir. Hoje, a moçada está passeando em balada nesse horário [da novela]. A opção de lazer mudou muito em relação a antigamente. A novela tem que ser muito significativa, legal, pra chamar a atenção. Hoje em dia, a moçada gosta muito de seriado, porque é uma linguagem rápida. A novela das 18 horas [“Cordel Encantado”] tem uma linguagem diferente que está chamando a atenção. É uma história antiga, uma fábula. O povo gosta disso!

Muita gente quando te vê lembra-se logo na Bruxa Morgana. Qual o significado que essa personagem teve em sua vida e em sua carreira?
Vai estrear uma peça da Morgana em setembro em São Paulo. Ainda mais estamos fechando, mas vai ser bem bacana, contando a história da família real chegando ao Brasil. O ‘Castelo’ é até hoje formador das crianças. Todo o mundo gosta e assiste. É o melhor programa que eu já fiz! Até hoje ele é reprisado, e foi um escândalo de audiência, uma loucura, para uma emissora que nem tinha capacidade pra receber tudo aquilo. É um programa muito feliz! Realmente o Flávio [de Souza] e o Cao [Hamburguer] fizeram um programa que engloba tudo. O Cao queria isso: uma cidade em que as crianças pudessem se divertir, um lugar mágico.

Atualmente você está em cartaz com “Cabaret Luxuria”. Como foi sua preparação para interpretar uma dona de bordel que vive num triângulo amoroso?
É um projeto da Rachel Ripani. Essa proposta de fazer uma história de amor no inferno é bem legal. É uma brincadeira! Eu, como dona do cabaré, está muito bom. Está fazendo muito sucesso.


Qual sua maior paixão: teatro, cinema ou TV?
Teatro. Tudo é bom, mas faço teatro há mais tempo.

Desde 1990, você não para – emenda um trabalho no outro. Para você, o que é necessário para um ator se manter na carreira?
Quando eu comecei a trabalhar, tive a oportunidade de fazer parte de um grupo de teatro. Isso me deu uma chance de estar sempre com peça, sempre trabalhando. As pessoas puderam ver o meu trabalho. Se você não fizer isso, como é que as pessoas vão te ver? Com o teatro, o Wolf me viu e me chamou pra TV. É necessário estudar muito, ler livro, porque o teatro é uma área que você tem que ter pelo menos o francês e o inglês pra estudar. É interdisciplinar. Tem que estar por dentro de tudo. Conhecer tudo o que pode, pra saber o que veio antes de você e não achar que você está inventando o mundo.

Com sua bagagem de roteiro, direção e produção, o que você acha que falta para a TV brasileira?
Acho que mais profundidade! Como o programa da Oprah Winfrey, que nem um programa brasileiro chega perto. A TV brasileira é como o povo brasileiro: não quer enxergar as coisas do jeito que elas são. É um pouco imatura. Trata as coisas de um jeito imaturo. Se abordam mais profundamente, dizem ‘Ai não pode falar’. É preciso ver que o problema existe, está na cara. A sociedade que não admite falar de coisas que acontecem todo dia, como a pedofilia, o assédio. Então, a gente não consegue tratar de assuntos de uma forma que eles sejam resolvidos, eles ficam na superfície. Mas tem coisas boas também. Hoje em dia você vê pessoas que têm seus próprios programas: de moda, culinária. É muito bacana isso e democratizou muito. A pessoa [o telespectador] tem onde e como se expressar. Antigamente, a instituição era muito fechada. Hoje em dia as pessoas têm mais facilidade. Acho que está faltando mais profundidade mesmo. Claro que com qualidade. Se não tiver qualidade, não vale de nada!

Aos 57 anos, como você enxerga Rosi Campos daqui a 10 anos?
Nossa... Aí eu vou estar velha já [risos]. Como atriz, a gente trabalha até quando der. Graças a Deus, tendo boa saúde a gente está sempre trabalhando. Tenho muitos projetos de TV, cinema, teatro. Tem bastante coisa pra fazer. Quero trabalhar muito. É a melhor coisa!

Fonte: Famosidades

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