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domingo, 20 de dezembro de 2015

A Regra do Jogo carece de um casal romântico forte


Responda rápido: qual é o casal central a quem o público de A Regra do Jogo deve torcer? Toia (Vanessa Giácomo) e Juliano (Cauã Reymond)? Toia e Romero (Alexandre Nero)? Romero e Atena (Giovanna Antonelli)? Juliano e Belisa (Bruna Linzmeyer)? Ou ainda o mais novo par da novela, Dante (Marco Pigossi) e Lara (Carolina Dieckmann)? Opções não faltam, mas nenhum desses pares é suficientemente forte para conquistar a torcida dos telespectadores.

Promover a dança das cadeiras de seus pares amorosos é expediente comum em qualquer folhetim. Como obra aberta que é, a telenovela pode seguir os rumos que a torcida popular sugerir. A alternância de casais serve também de termômetro para que os autores conduzam suas histórias sem a temível barriga.

Com problemas iniciais, João Emanuel Carneiro teve de promover mudanças em sua história para não perder audiência. Todas as alterações feitas em A Regra do Jogo foram operadas de forma sutil e não comprometeram o perfil dos personagens. O folhetim ficou mais claro e o ritmo dos capítulos vem crescendo.

Há, obviamente, alguns furos, como o delegado Faustini (Ricardo Pereira) avisar Orlando (Eduardo Moscovis) que iria prendê-lo _obviamente, acabou sendo morto pela facção. Ou ainda as fotos que Belisa tirou de Orlando e que ela não revela por nada _seria Belisa uma reedição de Nina (Debora Falabella), de Avenida Brasil (2012)?

João Emanuel Carneiro, contudo, mostrou destreza ao equilibrar a trama policial e deixar compreensível para o público o caráter de seus personagens. Isso não significa dizer que eles se tornaram maniqueístas: Zé Maria (Tony Ramos) é bandido da pior espécie, mas sofre agora pela rejeição do filho Juliano, a quem tenta proteger. Já Romero começa a mostrar arrependimento por fazer parte da facção, característica que engrandece o personagem.

Ainda assim, o autor não soube dosar exatamente a carga romântica de sua trama.  A entrada de Carolina Dieckmann trouxe à cena mais uma mocinha. A atriz convence como a "mulher de bandido apaixonada", e sua história é até mais comovente do que a de Toia, a heroína injustiçada da trama e que agora se envolve com Romero.

Por falar em Toia, sua história com Juliano só há pouco ganhou um impeditivo, mas é preciso reconhecer que o casal não empolga. Juliano e Belisa trocaram beijos, mas também não emplacaram, servem mais como cúmplices no desmanche da facção do que como casal. O antigo par de Belisa, Dante, agora ganha mais força com seu envolvimento com Lara, e talvez a dupla tenha mais espaço.

Único casal convincente, Atena e Romero são os que mais têm química como par, mesmo que na relação dos dois o humor venha ganhando espaço maior do que o romantismo. Em novelas de João Emanuel Carneiro, vilãs sempre têm mais carisma do que mocinhas e não é surpresa alguma que Atena venha roubando a cena. Pudera, a personagem de Giovanna Antonelli é, sem dúvida, a melhor da história.

Não se pode dizer que A Regra do Jogo não seja uma trama empolgante. Não chega a ser um estouro como a novela anterior do autor, mas também não é um monstro remendado como foi Babilônia. Com a história policial nos eixos, resta agora ao folhetim encontrar o tom exato das histórias de amor e fortalecer um casal principal para fazer a audiência suspirar.

Fonte: Notícias da TV

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