sábado, 29 de agosto de 2015

Alexandre Nero: o desafio de emendar protagonistas


Um simples "não pode" não foi o principal motivo, mas pesou na decisão de Alexandre Nero em aceitar a interpretar o protagonista de "A Regra do Jogo". Depois do arrebatador comendador José Alfredo de "Império", o ator será outra vez o galã de uma novela das 21h --horário nobre da TV Globo-- em sete meses de intervalo entre as duas tramas.

"Eu preciso de coisas que me instiguem a ponto de me apaixonar. Me apaixonei pela provocação de aceitar um papel logo depois do Comendador. Assim que surgiu o convite da Amora [Amora Mautner, diretora de 'A Regra do Jogo'] ouvi muito: 'Você não pode fazer um papel logo depois do sucesso do Zé Alfredo!'. Não pode? Proibido? Ah, então eu vou fazer o Romero Rômulo. Para mim não existe isso de seguir regras e muito menos ficar no Olimpo, à espera de bons papéis, só porque o anterior foi muito bom. Passei a vida inteira trabalhando e se não tivesse nessa produção, estaria trabalhando no teatro, no cinema ou na música. Não estaria de férias pelas Ilhas Gregas", brincou Nero.

O expressão "dar um tempo" não tem a ver com esse curitibano. Com 45 anos, ele integrou por dez anos o Grupo Fato de teatro, lançou três discos com composições próprias (o mais recente gerou o DVD "Revendo Amor - com pouco uso quase na caixa"), e está há oito no ar fazendo novelas na TV Globo.

"Coragem é primordial para as pessoas que se metem em ser artista. É preciso ter talento para levar porrada e trabalhar em cima do erro para acertar à frente. Se eu errar, que venha o próximo, se eu acertar o próximo também. Dizem que estou agora no primeiro escalão da Globo e se isso for realmente verdade, eu não tenho medo de cair um dia para o segundo ou para o terceiro. Não vejo o menor problema. Sucesso e fracasso são duas coisas que não me preocupam. Estou preparado para os dois", disparou o ator.

A partir do dia 31, Nero vai aparecer bem diferente na telinha. "Perdi dez quilos, tirei barba, bigode... Tudo para vir outro!", contou o ator, que "mata o personagem" assim que acaba uma novela. "O problema mesmo está em construir um novo, e pior ainda é ter pouco tempo para composição. Foi pouco tempo para construir o Romero? Foi. Queria mais tempo? Claro que queria e seria o ideal, mas não acredito que dois, três meses vão fazer diferença, porque consegui construir um Romero bem diferente do Comendador. Os 27 anos de trabalho me dão respaldo para isso", entregou.

Sobre todo o mistério que envolve a história de Romero Rômulo, o ator tentou contar o mínimo possível. "Ele é um político no sentido amplo da palavra. Articula bem, é simpático e visa o bem dos próximos. Só que o que ele usa para isso é que faz a diferença: dinheiro", explicou Nero. "Romero foi maltratado na infância, acabou sendo expulso de casa, morou anos na rua e viveu entre bandidos. Fica entre o bem e o mal o tempo inteiro, engana as pessoas e se engana. Resumindo: é um cara que não é mau e não é bom, ama e odeia, chora e ri, ou seja, uma pessoa absolutamente normal.

Pai - Nero está prestes a ser pai pela primeira vez. O bebê nasce no final do ano, e com bom humor o ator assumiu não ser um homem tão presente na gravidez da mulher, Karen Brusttolin. "Estou pagando três maridos para ficar com ela. Brincadeira. Lógico que existe todo um cuidado da produção da novela para eu estar nos momentos importantes, e isso está acontecendo. Quando recebi o convite, ela me disse: 'vai lá, que a gente segura'. Karen é um mulherão, batalhadora e não tem frescuras. Durante uma gravidez, nós homens somos figurantes e ficamos lá equilibrando e apoiando. Não estou ansioso, mas bem curioso para ver a cara do meu filho", revelou.

Fonte: UOL

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