É inegável que desta vez Manoel Carlos não acertou na sua tradicional receita. “Viver a Vida” termina hoje e nem de longe lembra trabalhos consagrados do autor, que vinha do grande sucesso “Maysa”. Muito pior que isso: a novela entra para a história como a pior audiência da década no principal horário da Globo (vide quadro acima).
Enquanto a maioria dos autores se esmera para trazer novidades a cada trabalho, Maneco insiste na mesmice: o Leblon, a classe alta abastada e fútil, os empregados de um mundo de fantasia e por aí vai. Além das Helenas, Morettis, Carlos e Martas, presentes em quase todos os seus trabalhos, a rotina se repete nas tramas: o garanhão sessentão “pegador”, a ninfeta rebelde, a ricaça fútil, a criança precoce e chata (que é um péssimo exemplo dos nossos filhos), o alcoólatra bonzinho, o jardineiro devotado... Enfim, seus personagens apenas trocam de atores e situações.
Taís Araújo pagou caro para ser a primeira Helena, jovem e negra. Muitos a culpam pelo fracasso da trama, mas que fique claro, Taís é uma excelente atriz e já provou isso em diversas oportunidades. O que faltou mesmo foi uma personagem consistente, que tivesse uma história para contar. Não foi à toa que Luciana roubou a cena. Sua personagem é muito mais densa e cheia de conflitos do que a protagonista.
Dentre os méritos da novela, pode-se citar o merchandising social em favor dos deficientes. Louvável a atitude do autor. O desempenho de Alinne Moraes, que cada vez mais se firma como uma das grandes atrizes de sua geração. O desempenho do “novato” Mateus Solano que fez muito bem os gêmeos, embora sua atuação não seja unanimidade entre os críticos. E a idéia de se colocar uma criança “vilã” também foi interessante, embora barrada pela justiça. No mais uma ou outra cena de humor.
Mas, se por um lado Maneco é ímpar em transportar as mais íntimas emoções humanas do coração para a boca dos personagens, por outro cria situações tão inverossímeis que fariam Wall Disney parecer realidade. No desenrolar de suas tramas os personagens são jogados de um lado para outro sem que haja qualquer lógica. Como no caso de Jorge, que começou mocinho, virou vilão e depois voltou a ser mocinho. Ao longo da trama namorou três moças, sem firmar com nenhuma delas, e no final da história foi jogado nos braços da quarta mulher, interpretada por uma atriz de mais renome que as três anteriores. Esta também, outra que passou a novela inteira servindo de escada para os diálogos das colegas do hospital.
Outra reclamação recorrente nas tramas de Maneco, que se superou em “Viver a Vida”, foi o marasmo, a lentidão na narrativa. O telespectador poderia passar vinte dias sem assistir a novela que quando voltasse teria a sensação de que não perdeu nenhum capítulo. Tudo continuava absolutamente na mesma. Só para se ter uma idéia, a noite de reveillon na novela durou quase seis capítulos, ou seja, uma semana...
Pesquisas já comprovaram que o público hoje quer ver uma história ágil, com várias tramas paralelas, nas quais se identifique com o dia a dia corrido em que se vive hoje. E Maneco continua lá... Na contramão...
Não teve jeito... Deu no que deu... A novela conquista o pior ibope da década.
É por isso que se pode dizer com certeza: “Viver a Vida” termina com gostinho de “já vai tarde!”
E que venha “Passione”!
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ResponderExcluirfazemos parcerias!