Cansada de penar com papéis dramáticos, Lilia
Cabral recorreu a Newton Moreno por um texto mais colorido, mais solar. A atriz
pediu que o autor pernambucano - que fez a elogiada peça "As
Centenárias" para Marieta Severo e Andréa Beltrão - lhe escrevesse uma
comédia. Esse é o ensejo por trás de "Maria do Caritó", que abre
temporada em São Paulo nesta sexta-feira.
Na novela "Viver a Vida", em 2009,
Lilia era Tereza, mulher traída pelo marido e que padecia com o trágico
acidente que deixou a filha tetraplégica. Antes, em "A Favorita", de
João Emanuel Carneiro, havia amargado dissabores como Catarina, dona de casa
espancada pelo marido. "Eu estava mergulhada nisso por dois anos.
Apanhava, era traída. Queria algo diferente. Mas não qualquer comédia",
diz a atriz. "Tenho um prazer enorme em ver que o público está se
divertindo e logo depois está chorando." Expediente que lembra sua atuação
em "O Divã", peça de sucesso que se tornou filme e seriado de TV.
"Maria do Caritó" garante a Lilia
Cabral o chão propício para esse trânsito incessante entre farsa e emoção. Na
produção, dirigida por João Fonseca, ela vive uma casta solteirona. Prometida
pelo pai em casamento a um santo, a moça passa a ser cultuada pelos fiéis da
cidadezinha onde vive. Acreditam que ela seja capaz de fazer milagres, curar
doenças. Maria, contudo, gasta todo o seu tempo a cultuar outro santo - Santo
Antônio - , na esperança de que ele lhe dê, enfim, um marido.
Deparamo-nos com uma virgem quase
beatificada. Ingênua, crédula, incapaz de permitir que a sucessão de enganos
abale a fé que devota ao amor. "O espetáculo tem essa capacidade de
inspirar esperança. Se fala o tempo inteiro da fé, da pureza, do amor. A Maria
do Caritó, apesar de tudo, nunca deixa de acreditar. Não desiste de encontrar
alguém", considera o diretor João Fonseca.
É a chegada do circo que virá transformar o
destino da personagem e insuflar-lhe fôlego em sua peregrinação amorosa. O pai
de Maria prometeu-lhe como noiva a um desconhecido santo, São Djalminha.
Prestes a completar 50 anos, a heroína ainda não se conformou com a sina. Ao
abrir sua lona na cidade, o circo oferece a ela a chance de apaixonar-se. De
transformar-se em palhaça.
Não é sempre que Lilia Cabral pode ser vista
nos palcos. Nos últimos dez anos, fez apenas duas peças: "Unha e
Carne" (2003) e "Divã" (2005). Ambas com nítido pendor para o
humor. "Muita gente acha que teatro é o lugar de mostrar quão sério você é
e que se faz isso encenando um clássico. Não compartilho essa visão",
argumenta. Ainda que não seja prioridade, encarnar um personagem clássico
permanece no horizonte. "Talvez seja meu próximo espetáculo. Estou
empurrando. Tenho de sentir necessidade", diz Lilia.
Fonte: Yahoo
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